Quem sou eu
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terça-feira, 27 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
DESEJO
A palavra desejo forma-se a partir dos étimos latino de, privação + sidus, estrela, o que alude à impossibilidade de alcançar e possuir uma estrela do firmamento, ou seja, a vontade do sujeito de obter algo que lhe está faltando, mas que está muito longe.
“No centro da terapia e da teoria psicanalítica encontramos o desejo”, escreve Lacan (1960). Esse desejo nada tem a ver com a concepção naturalista, ou biológica, em que se confunde com necessidade. Nesta a relação com o objeto de desejo causa a satisfação, enquanto que no desejo psicanalítico o objeto de desejo não é real. “A necessidade implica satisfação; o desejo jamais é satisfeito, ele pode realizar-se em objetos mas não se satisfaz com esses objetos”. Enquanto que no sentido natural o desejo ou necessidade está ligado ao objeto que satisfaz a necessidade do sujeito, no sentido psicanalítico está ligado ao sujeito desejado que interage com o sujeito que deseja, tentando reproduzir alucinatóriamente uma satisfação original.
O desejo é um retorno a um objeto perdido cuja presença é marcada pela falta; o que caracteriza o desejo é a presença de uma ausência; ele é a nostalgia do objeto perdido.
Freud ligava a formação do desejo com uma impressão mnêmica de alguma necessidade primitiva que foi gratificada de forma prazerosa. Assim, a memória da gratificação prazerosa está ligada à etapa vigente do princípio do prazer. O melhor exemplo disso pode ser dado pelo fenômeno que Freud descreveu como gratificação alucinatória dos desejos, pela qual o bebê substitui o seio faltante pela sucção do seu próprio polegar.
Em toda sua obra Freud exalta a importância do desejo, que sempre ligava as pulsões libidinais, e que ficam reprimidas no inconsciente à espera de algum tipo de gratificação, tal como acontece com os sonhos, os quais concebeu como uma forma disfarçada da realização de desejos. No entanto ao realizar-se a nível fantasmástico sua realização é puramente verbal e não factual (como seria na necessidade biológica).
Apesar do desejo humano não ser pelo objeto em si, ele pode desejar o objeto mas com a condição de ser mediatizado pelo desejo do outro. Como o soldado ao arrebatar a bandeira do inimigo, não deseja o pedaço de pano colorido mas sim o objeto de desejo do outro.
Quando um homem deseja o corpo de uma mulher, não é o objeto natural que está sendo desejado (o que remeteria a satisfação de uma necessidade animal, característica do instinto) mas o corpo desejado por outros desejos. Não é a mulher enquanto corpo, mas sim a mulher enquanto desejo. “O homem quer é se apossar do desejo da mulher e ser desejado também por ela, o mesmo acontecendo com ela em ralação ao homem. O amor é o confronto de dois desejos e nesse confronto os corpos não são tomados enquanto corpos naturais, mas enquanto mediatizados pelo desejo”.
Uma característica fundamental do desejo freudiano é o fato de ser o desejo inconsciente. Não há um sujeito único, mas dois sujeitos: o sujeito social portador do discurso manifesto (sujeito à regras) e o sujeito inconsciente, recalcado, mas portador do significado do desejo. A ação psicanalítica se propõe a tornar explícito o segundo, partindo do primeiro.
Lacan, partindo das idéias de Freud, ampliou e valorizou a noção de desejo conceituando-a como conseqüência direta das faltas e falhas. Igualmente, Lacan desenvolve uma importante distinção entre necessidade, desejo e demanda.
Outra importante contribuição de Lacan diz respeito à etapa em que a criança “deseja ser (aquilo que preencha) o desejo da mãe”.
Bion valoriza o aspecto do desejo precipuamente a partir do aspecto da situação analítica, isto é ele alerta para o risco de a mente do analista estar saturada de memórias e desejos.
O desejo está ligado a busca de um objeto perdido, uma vez que esta busca é inibida, o desejo impedido de realizar-se, a liberdade de expressão apresenta-se mascarada confundindo “desejo” com amostras do desejo, que por sua vez acaba virando jogada para muitos ganharem ou perderem, depende de que lado se encontram. Existem diferentes formas de extrair desse desejo a vitória ou a derrota completa. A busca pela sensação e percepção através dos cinco órgãos do sentido ou seja sentir, ouvir, ver, cheirar e saborear quando completos e feito com prazer, remetendo ao desejo inconsciente de prazer primitivo, prendendo-se a cada detalhe sem sentir-se reprovado pela ação (sem estar ligado a necessidade natural do sentido) então busca sua fórmula própria de gozar dessa vitória e ser feliz.
Já o contrário disso tudo, tem revelado verdadeiras frustrações através dos maus tratos adquirido ao longo dessa busca errônea atrás de um desejo vendido de forma induzida à visão de terceiros, oprimindo o próprio desejo e tornando-se um derrotado.
Onde encontramos exemplos de derrotados?
Pessoas obesas que se deixam induzir por um prazer que a torna oprimida comprando um desejo que não é seu próprio.
Relacionamentos desfeitos por acreditarem que desejo acaba e só poderá ser encontrado em outro relacionamento também comprado por falta de conhecimento sobre o “desejo próprio”.
O desejo acaba sendo distorcido por aquilo que não acredita ser. Podemos ver isso no filme “O Amor é Cego” quando Anthony Robbins ensina o personagem principal a enfocar e valorizar o interior no qual aprende a mergulhar em seu próprio desejo e não àquele que lhe é atribuído e conquista a felicidade. É uma comédia, que raciocina em condução própria, liberando o desejo inconsciente do personagem, seu real desejo de valor e não o que lhe era socialmente imposto.
A mulher quando aniquila o homem por não proceder de forma justa com ela em seu relacionamento e cobra que não olhe para nenhuma outra ameaça a ela (mulher) está na verdade tolhendo aquilo que mais cobra do homem, o desejo. Quando o homem já não cumpre mais com sua natural condição máscula o que lhe sobra é: Onde está o objeto do desejo?
Tudo isso faz lembrar que em tempos dos nossos avós ou mesmo pais. A mulher sabia das condições para viver com o homem e aceitava sem brigar, sofria calada. Se seu objeto de desejo não fosse aquele que seu esposo lhe apresentava. Ou era esperta, pois sempre o tinha por perto, com as outras era somente sexo, com ela era amor, se o seu objeto de desejo inconsciente fosse a segurança e a sensação de preferência.
Na mulher moderna essa condição não foi aceita e a mulher começa a buscar sua independência e a travar a guerra contra o homem por “direitos iguais”.
Ainda não foi encontrado a melhor forma de usufruir desse tão almejado desejo. Nem sendo compreensiva como nossas avós, nem tão radical como nos tempos atuais. O ficar dos jovens de hoje carrega em si duas possibilidades: uma a satisfação de uma necessidade natural e portanto finita – isso pode levar a frustração do relacionamento; outra possibilidade é a busca da realização do desejo efetivo que não podendo ser finalmente realizado (visto que é mutável) manterá acesa a chama da busca e do prazer constantes.
O conhecimento do funcionamento do desejo permitirá que não se crie falsas concepções de desejo, confundindo-o com a necessidade natural, e conduzindo à aceitação do desejo como objeto primordial de cada um, possibilitando um maior respeito pelo outro.
Bibliografia:
MARCIA-ROZA, L.A. Freud e o inconsciente, 18ª ed., Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2001.
KAPLAN, H.I.; SADOCK, B.J.; GREBB, J.A. Compêndio de Psiquiatria – Ciências do Comportamento e Psiquiatria Clínica, Porto Alegre: Ed. Artmed, 1997.
PEASE, A., PEASE, B.; Por que os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor?, Rio de Janeiro: GMT Editores, 2000.
GREGERSEN, E.; Práticas Sexuais – A História da Sexualidade Humana, São Paulo: Livraria Roca, 1983.
MUNJACK, P.J.; OZIEL, L.J., Sexologia Diagnóstico e Tratamento, São Paulo: Livraria Atheneu, 1984.
HANNS, L.; Dicionário Comentado do Alemão de Freud, Rio de Janeiro: Imago Ed. 1996.
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